Monteiro Lobato foi um intelectual militante, sempre buscando, através de inúmeros livros e artigos nos principais jornais da época, manter seus leitores claramente conscientes dos problemas do nosso país. Travava uma luta quixotesca pelos seus ideais de igualdade social, liberdade de expressão e justiça, desejando-os presentes em um novo Brasil, desenvolvido e saneado da corrupção e burocracia reinantes. Buscando soluções para transformar a realidade política, econômica e cultural do país, segundo sua visão pragmática, conseguiu influenciar milhões de brasileiros. Qual a extensão da influência do conjunto de sua obra na formação de opiniões e atitudes? Analisando esta questão, diversos autores que estudaram o processo através do qual os indivíduos de uma geração adquirem os elementos de conhecimento e de comportamento das gerações anteriores, concluíram que o processo inicia-se na infância e inclui, principalmente as influências do meio familiar, do grupo e de agentes externos, tais como a mídia (impressa e eletrônica) e outros. José Roberto Whitaker Penteado entrevistou um grupo de adultos, leitores de Lobato durante a infância para determinar essa influência. Pesquisando assuntos pré-determinados, como religião, família, governo e outros, concluiu que não há uma interpretação unívoca das fábulas lobatianas, mas, mesmo assim os leitores “observam valores que opõem a cooperação ao egocentrismo, a aceitação das diferenças à intolerância, a religiosidade ao sectarismo, o progresso ao apego rígido ao passado. Sobretudo, há o reconhecimento de que a leitura de Lobato contribuiu para o desenvolvimento da curiosidade, do espírito crítico e da negação da autoridade repressora”(1). Se, mesmo no universo de suas obras infantis, foi possível detectar influências posteriores na formação dos conceitos, idéias e visão de mundo dos adultos, as suas obras para o público adulto, certamente conquistaram a mesma importância transformadora. Em relação à medicina homeopática, ou qualquer outro valor ou idéia por nós adotados, e que não represente a escolha respaldada pela maioria da sociedade, sempre haverá, nessa atitude de coragem e espírito crítico a identificação com o ideal lobatiano que ele próprio extraiu de Nietzsche: “Queres seguir-me? Segue-te!”(2). Quantos não teriam experimentado a nova arte de curar encorajados pelos seus depoimentos? O próprio Monteiro Lobato, em correspondência a Paulo Dantas, especula sobre o êxito de sua faceta de “propagandista”, concluindo que sua eficácia nessa área, seria resultado da força emanada das suas absolutas convicções pessoais. Mesmo para os homeopatas convictos, o relato de seus primeiros contatos com a homeopatia e o conhecimento mais detalhado sobre a vida e obra de tão genial e assustadoramente atual figura humana, somente intensifica o orgulho de possuir em nossas fileiras, tão enaltecedora companhia.