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Bioterápicos e seu aspecto histórico
INTRODUÇÃO
Considerando a importância dos chamados bioterápicos no mundo atual e o enorme campo aberto à pesquisa no setor e, ainda, as dúvidas de alguns homeopatas sobre o uso dos mesmos dentro do método homeopático, trazemos algumas considerações históricas que podem aclarar a real posição da Bioterapia como um setor da Homeopatia.
ORIGEM: A Isopatia tem inspiração na vacina
Hahnemann foi reticente sobre o novo processo derivado de seu método já na 5ª edição do Organon.
Da introdução da 6ª edição, nota 33, transcrevemos o seguinte: “Baseado em tais exemplos retirados da medicina caseira, Dr.M Lux construiu seu suposto método curativo através do mesmo e do igual, chamado por ele de isopatia e que algumas cabeças excêntricas já adotaram como o non plus ultra da arte de curar, sem saber como poderiam realizá-lo.
Porém, se examinarmos exatamente tais exemplos, as coisas tomarão um aspecto completamente diferente.
As forças puramente físicas exercem sobre o organismo uma ação bem diferente daquela da força dinâmica dos medicamentos.
O calor ou o frio do ar ambiente, da água ou dos alimentos e bebidas, não exercem, por si mesmos, uma influência absolutamente prejudicial no corpo sadio (enquanto calor ou frio). O calor e o frio fazem parte, na sua alternância, do processo de conservação da vida, não constituindo, portanto, medicamentos em si. Não é devido à sua própria essência que o calor e o frio agem como medicamentos nas doenças do corpo (portanto, não como calor e frio e não como substâncias prejudiciais em si mesmas, como, por exemplo, os medicamentos, o ruibardo, a quina etc, mesmo nas doses ínfimas), mas apenas devido à sua maior ou menor intensidade, isto é, segundo seu grau de temperatura, assim como (para dar um outro exemplo de forças puramente físicas) um grande bloco de chumbo machuca dolorosamente minha mão, não devido à sua essência como chumbo, pois uma lâmina fina não poderia fazê-lo, mas, graças à sua massa e a seu peso.
Se, pois, o frio e o calor são úteis nas afecções do corpo, como os congelamentos e as queimaduras, isso acontece apenas devido a seu grau de temperatura, da mesma forma que é unicamente graças ao grau máximo de temperatura que eles prejudicam o corpo sadio.
Legislação homeopática no Brasil
DECRETO N. 57.477 DE 20 DE DEZEMBRO DE 1965
Dispõe sobre a manipulação, receituário, industrialização e venda de produtos utilizados em Homeopatia e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, usando das atribuições que lhe confere o art. 87, item 1 da Constituição, resolve:
Aprovar o presente Regulamento, que dispõe sobre a manipulação, receituário, industrialização e venda de produtos utilizados em Homeopatia e dá outras providências.
CAPÍTULO I
Artigo 1. – Considera-se farmácia homeopática aquela que somente manipula produtos e fórmulas oficinais e magistrais que obedeçam à farmacotécnica dos códigos e formulários homeopáticos.
Artigo 2. – A instalação e o funcionamento de farmácia homeopática obedecerão ao disposto na legislação farmacêutica em vigor, excetuada a relação de drogas, medicamentos e utensílios, que deverá ser estabelecida em listas mínimas pelo órgão federal de saúde encarregado da fiscalização da medicina e farmácia.
Artigo 3. - As farmácias homeopáticas não são obrigadas à manipulação de prescrições não enquadradas nos moldes homeopáticos.
Artigo 4. – A Comissão de Revisão de Farmacopéia deverá apresentar, para aprovação, dentro do prazo de 1 (um) ano, o Código Homeopático Brasileiro, como adendo à Farmacopéia Brasileira.
Parágrafo único – O órgão federal de saúde encarregado da fiscalização da medicina e farmácia, no prazo de 30 (trinta) dias, organizará a subcomissão de assuntos homeopáticos da Comissão de Revisão de Farmacopéia.
Artigo 5. – Nas farmácias homeopáticas deverá existir, obrigatoriamente, a edição em vigor da Farmacopéia Brasileira com o Código Homeopático Brasileiro.
Parágrafo 1 – Até que seja aprovado o Código Homeopático Brasileiro, serão adotadas, nas farmácias homeopáticas, as técnicas constantes das Farmacopéias Norte-Americana e Francesa.
Parágrafo 2 – Somente com autorização especial do órgão federal de saúde encarregado da fiscalização da medicina e farmácia, poderão ser manipuladas nas farmácias, nos moldes homeopáticos, drogas e substâncias não constantes dos Códigos Homeopáticos.
Parágrafo 3 – As substâncias e drogas enquadradas no parágrafo anterior serão posteriormente incluídas no Código Homeopático Brasileiro ou em seus suplementos.
Artigo 6. – O farmacêutico responsável por farmácia homeopática terá auxiliares de sua confiança.
Parágrafo único – Estes auxiliares, quando não forem farmacêuticos, deverão comprovar sua capacidade em práticas homeopáticas, bem como as demais habilitações de acordo com as instruções vigentes.
Artigo 7. – Os laboratórios de farmácia homeopática não poderão fabricar produtos industrializados.
Parágrafo único – A industrialização de produtos homeopáticos somente poderá ser realizada por laboratório apropriado e independente de farmácia, habilitando-se previamente, o interessado junto ao órgão federal de saúde encarregado da fiscalização da medicina e farmácia e seus congêneres da Unidade Federada.
Artigo 8. – Os importadores de matéria-prima para fins homeopáticos deverão habilitar-se perante as autoridades sanitárias estaduais ou territoriais competentes e inscrever-se no órgão federal de saúde encarregado da fiscalização da medicina ou farmácia, na forma da legislação em vigor.
Artigo 9. – São permitidas nas farmácias homeopáticas, desde que a área do estabelecimento as comporte, manter independentes, seções de venda de especialidades farmacêuticas, não homeopáticas, devidamente licenciadas no órgão federal de saúde encarregado da fiscalização da medicina e farmácia, bem como seções de produtos de higiene, cosméticos e perfumaria, também licenciados devidamente no órgão federal de saúde.
Artigo 10. – As farmácias alopáticas poderão manter estoque de produtos homeopáticos fabricados e embalados por laboratórios indústriais homeopáticos.
Princípios fundamentais da homeopatia
A Homeopatia, como ramo das ciências médicas, surgiu com Cristiano Frederico Samuel Hahnemann, sábio alemão nascido em Meissen a 10 de abril de 1755.
Hahnemann, após tornar-se doutor em Medicina e ter publicado várias obras de nível científico, abandonou a carreira médica por ter-se decepcionado com a terapêutica empírica de sua época.
Passou, então, a realizar traduções de livros, pois conhecia diversas línguas.
Foi quando, em 1790, traduzindo do inglês para o alemão a Matéria Médica de Willian Cullen, médico escocês, observou uma explicação sobre a ação da quinquina por este autor, que não o satisfez. Achava Cullen que a quinquina, sendo amarga, criava no estômago do doente, uma substância que era contrária à febre.
Hahnemann resolveu experimentar a quinquina, notando o aparecimento de sintomas semelhantes à maleita. Mas a China (quinquina) utilizada contra doentes febris, provocou no indivíduo sadio o aparecimento de febre: se isto fosse verdade, um novo princípio estava descoberto para as ciências médicas.
Submeteu-se o sábio de Meissen a novos experimentos com enxofre, mercúrio, beladona, digital, ipecacuanha, etc., confirmando suas primeiras observações com a China.
Em 1796, publicou suas conclusões em:
“Ensaio sobre um novo princípio para descobrir as virtudes curativas das substâncias medicinais, seguido de algumas exposições sumárias sobre os princípios aceitos até os nossos dias”.
Considera-se, por conseguinte, esta data como do surgimento da Homeopatia, a nova terapêutica que veio revolucionar a Medicina da época.
Hahnemann combateu com veemência os métodos utilizados pela escola clássica, à base de sangrias, vomitórios, purgativos, etc., sem uma lei científica que pudesse orientar a cura.
Em 1810, publicou sua principal obra, o “Organon”, na qual desenvolveu os fundamentos da Homeopatia em forma de aforismos.
Esta obra tem um significado muito grande na história da Medicina, pois numa época de empirismo, que levou ao nihilismo terapêutico, Hahnemann apresentava um trabalho de gênio, combatendo o uso indiscriminado de medicamentos que era feito em sua época (havia uma polifarmácia irracional), afirmando que o médico deveria conhecer a ação do medicamento no organismo para poder prescrever.
Além da prescrição, cuida de diversos outros aspectos como higiene, alimentação, etc.
Enfim, é um verdadeiro tratado médico que ainda conserva seu valor em nossos dias.
Ressaltamos, como fato bastante importante destas considerações históricas, o de que Hahnemann deve ser considerado como o verdadeiro criador da Medicina experimental, pois na sua época os conceitos eram baseados nas afirmações dos mestres.
Tem-se atribuído a Claude Bernard o título de “Pai da Medicina Experimental”. Este autor, porém, nasceu em 1813 e sua primeira publicação data de 1843 (ano da morte de Samuel Hahnemann).
Desenvolvia-se, assim, um novo sistema terapêutico que se espalhou pelas diversas universidades do mundo, com a criação de hospitais para tratamento com esse método. Como se trata de um sistema terapêutico, o termo mais adequado deve ser “Homeoterapia”, embora o termo “Homeopatia” já esteja consagrado.
Homeoterapia, por conseguinte, não é “outra medicina” , mas um sistema terapêutico que, como os outros, tem suas indicações e limitações, e podemos considerá-la como terapia de regulação, isto é, aproveitando a tendência natural do organismo à semelhança das vacinas.
Podemos, assim, estabelecer o conceito de Homeoterapia:
“A ESPECIALIDADE METODOLÓGICA NO SETOR DA FARMACOTERAPIA BASEADA NA LEI DOS SEMELHANTES, TENDO COMO MÉTODO FUNDAMENTAL A EXPERIMENTAÇÃO NO ORGANISMO SADIO E UTILIZANDO-SE DE MEDICAMENTOS PREPARADOS SEGUNDO FARMACOTÉCNICA PRÓPRIA”.
Estes são os três pilares que fundamentam a Homeoterapia:
- a lei dos semelhantes
- a experimentação medicamentosa
- o medicamento homeopático
Alguns autores enumeram um quarto princípio denominado “remédio único” que, na verdade, não passa de uma regra de prescrição terapêutica, uma recomendação a ser feita sempre que possível no receituário, não podendo, na verdade, ser enunciado como princípio da Homeopatia.
Generalizar a prescrição de um remédio único para toda a clínica não corresponde à realidade dos fatos da Patologia.
Monteiro Lobato e a Homeopatia
Monteiro Lobato foi um intelectual militante, sempre buscando, através de inúmeros livros e artigos nos principais jornais da época, manter seus leitores claramente conscientes dos problemas do nosso país. Travava uma luta quixotesca pelos seus ideais de igualdade social, liberdade de expressão e justiça, desejando-os presentes em um novo Brasil, desenvolvido e saneado da corrupção e burocracia reinantes. Buscando soluções para transformar a realidade política, econômica e cultural do país, segundo sua visão pragmática, conseguiu influenciar milhões de brasileiros.
Qual a extensão da influência do conjunto de sua obra na formação de opiniões e atitudes?
Analisando esta questão, diversos autores que estudaram o processo através do qual os indivíduos de uma geração adquirem os elementos de conhecimento e de comportamento das gerações anteriores, concluíram que o processo inicia-se na infância e inclui, principalmente as influências do meio familiar, do grupo e de agentes externos, tais como a mídia (impressa e eletrônica) e outros. José Roberto Whitaker Penteado entrevistou um grupo de adultos, leitores de Lobato durante a infância para determinar essa influência. Pesquisando assuntos pré-determinados, como religião, família, governo e outros, concluiu que não há uma interpretação unívoca das fábulas lobatianas, mas, mesmo assim os leitores “observam valores que opõem a cooperação ao egocentrismo, a aceitação das diferenças à intolerância, a religiosidade ao sectarismo, o progresso ao apego rígido ao passado. Sobretudo, há o reconhecimento de que a leitura de Lobato contribuiu para o desenvolvimento da curiosidade, do espírito crítico e da negação da autoridade repressora”(1).
Se, mesmo no universo de suas obras infantis, foi possível detectar influências posteriores na formação dos conceitos, idéias e visão de mundo dos adultos, as suas obras para o público adulto, certamente conquistaram a mesma importância transformadora.
Em relação à medicina homeopática, ou qualquer outro valor ou idéia por nós adotados, e que não represente a escolha respaldada pela maioria da sociedade, sempre haverá, nessa atitude de coragem e espírito crítico a identificação com o ideal lobatiano que ele próprio extraiu de Nietzsche: “Queres seguir-me? Segue-te!”(2).
Quantos não teriam experimentado a nova arte de curar encorajados pelos seus depoimentos? O próprio Monteiro Lobato, em correspondência a Paulo Dantas, especula sobre o êxito de sua faceta de “propagandista”, concluindo que sua eficácia nessa área, seria resultado da força emanada das suas absolutas convicções pessoais.
Mesmo para os homeopatas convictos, o relato de seus primeiros contatos com a homeopatia e o conhecimento mais detalhado sobre a vida e obra de tão genial e assustadoramente atual figura humana, somente intensifica o orgulho de possuir em nossas fileiras, tão enaltecedora companhia.
Autora: Fabiana Cardoso Tardelli
DVD – 2 volumes – Mecanismos defensivos do Organismo
DVD – 2 volumes – Mecanismos defensivos do Organismo – Prof. Walter
Edgard Maffei – R$ 60,00
DVD – A arte da cura – Hahnemann
DVD – A arte da cura – Hahnemann – R$ 30,00
Contribuição à História da Homeopatia: frio em Leipzig, calor em Ribeirão Preto
Contribuição à História da Homeopatia: frio em Leipzig, calor em
Ribeirão Preto – Izao Carneiro Soares – R$ 30,00
Doenças Crônicas: fundamentos teóricos – Samuel Hahnemann
Doenças Crônicas: fundamentos teóricos – v.1 – Samuel Hahnemann -
tradução do alemão – R$ 35,00
Encontro Brasil Cuba de Homeopatia
Hylton Sarcinelli Luz conta como foi a terceira edição do Encontro, realizado nos dia 21 e 22 de julho, em Havana.
O III Encontro Brasil Cuba ocorreu na cidade de Havana, nos dia 21 e 22 de julho, no auditório do Ministério da Saúde Pública. O encontro foi organizado pelo Dr. Izao Carneiro Soares, do Instituto François Lamasson, e pelas Dras. Maria de los Angeles Vinã, presidente de a Sessão de Homeopatia da Sociedade Bioenergética. Na abertura, a Dra. Marta Pérez de Vinã, do Centro Nacional de Medicina Natural e Tradicional do Ministério de Saúde Pública de Cuba, apresentou as linhas de atuação, as perspectivas e as principais intervenções na saúde pública.
Em dois dias de atividades foram 31 expositores, dentre elas, uma palestra do Dr. Izao sobre a importância e aplicabilidade do conceito de Enfermidade Crônica na saúde pública e outra do Dr. Paulo César Maldonado sobre a Prática Clínica Homeopática. Já a mesa redonda coordenada pela Dra. Silvana Mantovani abordou Aspectos da Investigação Homeopática no Brasil e contou com a participação da Dra. Ana Rita Novaes , Diana Sales, Hylton Luz e Wagner Dioclesciano.
Os trabalhos cubanos na área de medicina abordaram os temas da asma brônquica, atenção primária à saúde, dermatologia, epidemias de dengue e leptospirose, hipertensão arterial, obstetrícia, oftalmologia, oncologia, tabagismo e traumatismos. Em veterinária, o foco dos trabalhos foi o desafio da produção, com surpreendentes efeitos na criação de pescados, suínos e galinhas, tanto no campo da reprodução e desenvolvimento- com especial acento no ganho ponderal e sanidade- quanto no tratamento e combate de enfermidades.
Na Farmácia, abordou-se o perfil das prescrições, os problemas mais comuns e o acesso ao medicamento. Na astomato-odontologia, os temas foram amplos, abordando desde a prevenção, analgesia e cuidados nas urgências até a integração multidisciplinar. O destaque dos trabalhos cubanos foi a acuidade científica, com foco na avaliação dos resultados comparados com a Medicina Alopática.
Grande destaque deve ser dado e perspectiva na integração dos profissionais de saúde e à visão de complementaridade dos tratamentos. A Homeopatia e outras medicinas tradicionais ampliam as opções de cuidado dos profissionais que passam a contar com a oportunidade de uma escolha inicial menos agressiva e voltada para estimular os recursos naturais de recuperação e cura, deixando-se para os casos mais graves, enquanto não houve resposta adequada, as intervenções com medicamento química e as cirurgias.
Fonte: Informativo Associação paulista de Homeopatia
O X Congresso Paulista de Homeopatia
O instituto Homeopático Lamasson realizou, nos dias 6 e 7 de agosto, o X Congresso Paulista de Homeopatia no Hotel Nacional em Ribeirão Preto/SP. O evento contou com participantes de diversos estados do país como Pernambuco, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul entre outros. Participaram profissionais da área de medicina, odontologia, farmácia e medicina veterinária, também estiveram presentes estudantes que cursam medicina em Cuba.
Temas como a filosofia homeopática, homeopatia na agricultura e a sua visão atual foram discutidos nos dois dias de congresso. Um dos pontos altos do congresso foi a palestra musicada do Dr. Izao Carneiro Soares sobre o perfil homeopático de Noel Rosa.
































